Atravessando o deserto - Dia 1
Atravessando o deserto - Dia 1 (14-08-2006)
San Pedro do Atacama, 9:40 da manhã toca o despertador, acordo assustado. Caramba, perdi a droga o jipe que vai me levar a Bolívia, que bom, era apenas um sonho, ainda eram 3:30 da madrugada e eu não estava conseguindo dormir direito, viro para o outro lado e vejo uma figura estranha na outra cama. Quem será? Não me lembro de ter alguém ali quando fui dormir! Me recordo, é a japinha (que não me lembro o nome) que está dividindo o quarto comigo.
7:30 o despertador toca novamente, dessa vez é para valer. Pego minhas coisas que já estavam arrumadas e saio do quarto tentando fazer o menos de barulho possível. Desço as escadas e termino de arrumar tudo, conferencia numero 200 para ver se não estava esquecendo nada (nesta viajem perdi o meu chinelo e o meu memory key). Escrevo um recado num inglês corrido para as duas meninas da Alemanha que me ajudaram na noite anterior, agradecendo e pedindo desculpas por não me lembrar do nome delas junto com alguns alfajores que havia comprado em Buenos Aires. Espero que elas tenham gostado e me escrevam de volta.
Saio correndo, com a mochila super pesada em direção ao escritório da agencia de viagens que me levará até a Bolívia. Chegando lá, encontro vários GRINGOS entre eles Paul e alguns outros “Irish People” que conheci num bar algumas noites atrás. Eu havia conhecido Paul no albergue de Mendoza (AR).
Estranhamente, eles perguntaram se eu estava me sentindo bem e se a diarréia havia passado! Pensei comigo, como é que eles sabem que eu estava com diarréia? Bem, depois lembrei que as duas meninas da Alemanha também estavam no mesmo bar e que elas saíram logo depois de me dar o remédio. Acho que fui o assunto da noite!
Eu estava morrendo de fome, pois havia muito tempo que eu não comia nada, uma porque não descia e outra porque estava com medo de comer algo e ferrar de vez.
Como eu havia trocado todo o meu dinheiro Chileno por Dólares na noite anterior, tive que sair a procura de um lugar que aceitasse cartão de crédito. Sorte minha que logo achei um e consegui comprar um suco de laranja em caixinha (que só depois fui ver que estava vencido, assim como TUDO em San Pedro), uma torrada e algumas bolachas. O suco foi fácil de tomar, mas a torrada, chegou inteirinha em La Paz!!!
Bem, entramos no ônibus que nos levaria ate a fronteira do Chile com a Bolívia onde o Jipe 4X4 (chamado de Coche) estaria a nossa espera para continuar a viagem.
Antes disso, ficamos muito tempo parados na aduana chilena para fazer toda a burocracia de saída do país. Foi tudo tranqüilo, com exceção da demora e má vontade dos policiais chilenos.
Quando se chega ao lado boliviano, o processo é bem mais rápido. O cara pergunta quando tempo você pretende ficar no pais e independente da sua resposta, ele carimba 30 dias, cola um selo e tchau! Antes claro de olhar o passaporte, ver que eu sou Brasileiro e comentar sobre a copa do mundo!
Depois de fazer fronteira, todo o grupo de reuniu para tomar café da manhã e começar a divisão dos grupos. Éramos em 18 pessoas, sendo que em cada Coche cabem entre 6 e 7 pessoas.
Um grupo logo se formou e tomou um coche, os French People formados por franceses, alemães e chilenos, um outro grupo formado por italianos (um grupo de 4 tiozinhos) e irlandeses e o terceiro com australianos, neozelandeses, irlandês e o Brasilian guy!
Saímos os 3 juntos, mas logo começaram os problemas. O nosso carro tinha que parar sempre para colocar água no radiador. Ficamos parados por quase meia hora esperando pelos italianos e nada, quando resolvemos voltar, o carro dos italianos teve o eixo traseiro quebrado por uma pedra.
Seguimos viagem, nós e o coche dos franceses deixando para trás os italianos que logo teriam o carro trocado e nos encontrariam na primeira parada, as Águas Termais.
Chegamos nas águas termais para o almoço, antes aproveitamos e caímos na piscina com uma água super quentinha. A cena era bizarra, um frio enorme, um vento cortando a cara e todo mundo de roupa de banho.
Depois do banho quentinho (o difícil é sair da água quente e colocar a roupa) fomos almoçar, nisso o outro grupo já havia chegado e comemos todos salsicha frita com purê de batatas e salada de pepino e tomate.
Uma coisa que me chamou bastante atenção, foi que nesse ano a infra estrutura para atender aos turistas está muito melhor e tudo leva a crer que no próximo ano estará melhor ainda, pois estão construindo vários pontos de atendimento, como restaurantes e abrigos no meio do deserto.
Após o almoço partimos para a segunda etapa, Laguna Verde, Laguna Colorada e chegamos ao abrigo ainda com luz.
Após nos alojarmos, ficamos batendo papo até a hora do jantar. Rolou uma sopa (que não comi mas falaram que estava boa) e um macarrão (com uma cara horrível, que também não comi, mas falaram que estava mais ou menos).
E nisso, nada do outro coche chegar (o dos italianos). O nosso motorista, não tinha idéia de onde eles estavam, mas continuava a garantir que eles estavam bem!











